sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

UFPA promove 9ª de Beethoven

     Ai, ai. Chega a ser vexatório ver tanta gente envolvida em algo que dá vergonha alheia. A situação vexatória desta vez foi protagonizada pelo efetivo reunido em torno da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta pertencente à Escola de Música da Universidade Federal do Pará e regente, pasmem, pelo mesmo Miguel Campos Neto que rege a Orquestra Jovem Vale Música e Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz. São três filhos muito diferentes vindos do mesmo pai. O que me deixa mais firme na certeza de que o que faz uma orquestra não é o regente e sim os instrumentistas dela. Miguel é bom regente todos sabemos. Porém, nem mesmo um bom regente como ele é capaz de tirar boa música de músicos tecnicamente inferiores como é o caso evidente desta OSAP. 
    Há também o caso Fábio Martino, um jovem pianista brasileiro, que há alguns anos recusou-se a tocar com esta orquestra por "se sentir desconfortável" ao tocar com ela durante os ensaios para um concerto que aconteceria também no Encontro de Arte de Belém e teve seu recital de piano solo totalmente prejudicado pelo público que não parou quieto um minueto sequer. Um estudante da EMUFPA me disse que foram parentes dos integrantes da orquestra que se organizaram para sabotar o recital em represália a sua recusa. Pode ser verdade, pois eu estava lá e presenciei incomodado toda a barulheira feita pelo público que não se incomodou em nenhum momento ao levantar das cadeiras e andar pelo teatro sem a preocupação com o silêncio. Fábio foi um guerreiro, pois tocou todo o recital sem se deixar abalar, mas mostrou sua cara de irritação na ora dos agradecimentos pelos poucos aplausos que recebeu. Este ocorrido mostro a fraqueza da OSAP e que ainda falta muito para esta orquestra alcançar o nível da OJVM, que também é uma orquestra de escola, porém já alcançou um nível profissional faz tempo. Miguel ainda terá muito trabalho pela frente se quiser nos dar um som minimamente palatável no futuro com esta OSAP.
    Mas heis que chego ao fator principal desta postagem; a sinfonia. Tadinho do Beethoven. Foi maltratado, achincalhado, torcido e retorcido, exposto à vergonha pública e jogado no mármore do inferno por esta realização de sua 9ª Sinfonia tão brutalmente esculhambada que, se ele estivesse vivo, teria morrido todo esfolado com requintes de crueldade.  
     Tecnicamente, a orquestra foi muito fraca. Literalmente. O som foi muito baixo durante toda a apresentação. Nem mesmo os compassos em fortissimo tiveram um som mais volumoso. O 1º movimento foi massacrado com uma interpretação arrastada, sem força nos ataques e cordas completamente apáticas. O 2º movimento não melhorou em nada o anterior e as observações dele continuam para este, com a observação de que a força interpretativa necessária a este movimento , cheio de ímpeto musical, de impetuoso não teve nada. O 3º movimento; melodiosísimo, até que deu pro gasto, mas gastou muito o talento de Campos Neto. Hei que chega o 4º movimento. E o melhor nele foi o coro. Sim, senhores; o coro. Como os agrupamentos corais na capital paraense são muito bons, principalmente, os coros sinfônicos. O coro foi a melhor, talvez, única boa apresentação nesta patetada musical. Os solistas fizeram o que podem com a técnica que têm hoje. Antônio Wilson (tenor)  e Idaías Souto (baixo) formaram uma dupla de vozes masculinas irregular, pelo fato de Wilson ter muito mais experiência como solista que Souto, que ainda está no caminho de descoberta de suas capacidades vocais. Sob a atual orientação de Jena Vieira, ele está avançando na sua técnica vocal e cantando dentro dos seus limites vocais; o que é sempre aconselhável para todos diria Alfredo Kraus. As solistas mulheres são praticamente desconhecidas para mim e, por isso, não formarei opinião sobre suas participações. Mas digo, que na técnica, elas estão indo bem.  Resumo da ópera: quem não tem condições de apresentar coisa boa não nos apresente coisa ruim.
   



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