domingo, 25 de fevereiro de 2018

Leon Keuffer e Humberto Azulay: recital de abertura da temporada 2018

     A temporada de concertos e recitais da Fundação Amazônica de Música se deu na noite de 23 de fevereiro de 2018, após o carnaval é claro, com um recital de piano e violino com os músicos paraenses Leon Keuffer e Humberto Azulay, ambos de famílias de músicos. Leon é filho de Cecília e Paulo Keuffer. Ela cantora e ele violinista, já falecido. Já Humberto é filho da professora de piano Hilda Azulay, que fez carreira didática na Conservatório Carlos Gomes, onde providenciou a formação dele e da irmã, Adriana, outra grande pianista paraense, também especializada na música de câmera. Portanto, com música por todos os lados e sólidas formações musicais, não é de estranhar que ambos tenham um alto nível técnico e de musicalidade. Humberto e Leon são os exemplos para o ditado popular "filho de peixe, peixinho é". Mas nesse caso, temos dois peixões da música erudita paraense.
      No programa três sonatas de épocas e estilos diferentes. Todas de compositores europeus e de três gigantes da música universal. Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven e Edvard Grieg. Em relação a sonata de Bach, faço uma reticência pessoal quanto ao uso do piano na execução de música barroca. Para mim, o cravo é fundamental na execução de música barroca e, sobretudo, em Bach considerando que o piano não transmite a sonoridade da época e pesa também o fato do velho Bach não ter aprovado o pianoforte quando o experimentou na sua primeira fase de produção; deixando claro que o cravo era de sonoridade bem melhor aos seus ouvidos. Mas, os dois músicos tocaram a sonata de Bach com gosto e beleza. Leon iniciou o recital tecendo elogios à beleza da música.  

Humberto Azulay (foto: Benedito Jr.)

     O pianista Beethoven escreveu grandes sonatas para violino. Todas de grande beleza e caráter essencialmente camerístico como convém à sonatas. Como Beethoven era pianista, claro ele não deixou o piano a cargo de coadjuvante e fez seus teclado ser um parceiro do violino. Desse modo, sua sonata acaba sendo um obra para dois solistas e não somente um como é de se esperar. Humberto, auxiliado pela irmã Adriana - que lhe virava as páginas - fez os dedos trabalharem bastante, não esquecendo, é claro, de unir sua parte a de Leon que tocou o violino com o fervor requerido pelo espírito indomado do compositor de Bonn.
     Para fechar a noite o cronicamente doente e romântico Grieg teve sua terceira sonata para violino e piano executada com fúria e paixão, sobretudo, por Leon, cujo violino trabalhou bastante nessa execução. Até mesmo sua mãe ficou impressionada com a execução da noite. Justo ela que está habitada a ver o filho ensaiar e se apresentar. Se Cecília disse que ele tocou mais que o normal. Quem sou eu para duvidar? Palma para ele. E também para Humberto pelo ótimo início de temporada 2018.

Adriana Azulay (foto: Benedito Jr.)

Vídeos:

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

Sonata nº. 4 em C menor

1. Siciliano: Largo
2. Allegro
3. Adagio
4. Allegro



Ludwig van Beethoven (1770-1827)
Sonata nº. 8 Op. 30 nº. 3

1. Allegro assai
2. Tempo di minueto, ma molto moderato e grazioso
3. Allegro vivace




Edvard Grieg (1843-1907)

Sonata nº. 3 em C menor, Op. 45

1. Allegro molto ed appassionato




2. Allegretto expressivo alla Romanza




3. Allegro animato




sábado, 24 de fevereiro de 2018

O mundo em paços de dança

A escola Dança e Arte, localizada no bairro da Cremação na capital paraense, realizou na noite de 07 de julho de 2017 no Teatro Margarida Schivasappa o seu espetáculo O Mundo em Passos de Dança. Foi um espetáculo de encerramento de semestre desta escola, situada na Avenida Alcindo Cacela na esquina da Passagem Mucajás, portanto, no centro do bairro. O que me levou a assistir esse espetáculo foi o fato de meu sobrinho João Vitor estudar dança de rua nela. 
O que também chamou a minha atenção é pelo fato da escola se situar nos altos de uma academia de ginástica e não ter uma fachada para chamar a atenção à ela. Ou seja, todos pensamos que naquele prédio há somente uma academia de ginástica e não, também, uma escola de dança.
Pois bem, a criadora da escola faz, com seus professores, um trabalho hercúleo para envolver vários jovens no mundo da dança. Inclusive com distribuição de bolsa de estudos: meu sobrinho é bolsista. Creio eu, para incentivar a entrada de meninos na escola; considerando-se a secular discriminação do povo paraense, como assim de tantos outros povos, com meninos que estudam dança, sobretudo, balé.
Desta vez, o espetáculo fez uma miscelânea de danças originarias de diferentes países., botando os alunos da escola para se apresentarem de acordo com o nível de aprendizado deles e o estilo de dança estudado, é claro. Podemos ver coreografias simples e algumas até engraçadas feitas pelos professores da escola.
Não foi um espetáculo diferencial, pois se trata de uma escola de dança "de bairro" que surgiu dos esforços de uma mulher e dançarina que devota sua vida à arte da dança e não tem todo o apoio do mundo para realizar o seu trabalho. Porém, todos os envolvidos na escola demonstram o seu interesse em fazer a dança acontecer. O que já uma coisa a se destacar e se admirar. Infelizmente, a dona da escola futuramente irá se despedir de Belém e acompanhar esposo e família para a terra de Cabral e Camões onde passará a residir, deixando a escola sob a tutela da irmã. também professora de dança. Deixo aqui os meus parabéns à equipe pelo ótimo trabalho que vem sendo feito com as crianças e adolescentes que estudam na escola. 
São trabalhos como esse que o Pará precisa para incentivar e promover a arte entre nós.


vídeos:

Portugal



Argentina




Balé juvenil: Estados Unidos


Balé infantil: Itália



balé adulto: professoras de dança


balé juvenil: Egito







imagens:













































Coro Carlos Gomes na Semana de Arte 2019 da Nova Acrópole

    A maestrina cubana Maria Antonia Jiménez agradecendo  a participação do público no concerto do Coro Carlos Gomes      Entre ...